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Consagrados dos Pés Descalços


1) É justo e lógico que, depois da recordação da santa cruz, se tenha também uma especial lembrança das dores da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, a qual esteve fielmente ao lado de seu querido Filho Jesus, que pendia da Cruz e morria pela salvação de todo o mundo. Espetáculo dilacerante, o da Mãe e do Filho crucificado; o da Mãe que chora e do Filho que sofre por ela; da Mãe aniquilada de dor e do Filho que lhe fala; da Mãe que esta ao pé da cruz e do Filho que pende da cruz, da Mãe que suspira e do Filho que expira. Abismo de imensa dor, que não deve esquecer-se nunca, senão que deve conservar-se fortemente gravado no coração dos fiéis.
2) Pilatos fez escrever sobre a tala fixada na cruz: “Jesus Nazareno, rei dos judeus” (Jo 1, 19). Escreva-o tu também com letras de ouro em teu coração, contra os escárnios dos homens e o terror dos demônios, e Jesus Cristo, Rei do céu, te livrará de toda perseguição dos malvados. Se assim o fizeres, também estará ao teu lado com suas orações, Maria, a Mãe de Jesus, para que não te desesperes nas angústias e nos últimos instantes de tua vida.
3) Nenhuma Mãe experimentou tanta alegria nem tanto consolo no nascimento do próprio filho, como os que experimentou esta Santíssima Mãe, que mereceu conceber e dar à luz ao Filho de Deus. Do mesmo modo, nenhuma mãe sofreu e suportou tanto abatimento e tão dilacerante dor pela morte do próprio filho, como esta amantíssima Mãe na paixão de seu querido Filho, ao participar em suas dores. Manteve-se firme ao lado de sua cruz e, transpassada pela espada da dor, chorou com imensa amargura.
4) Ao observar tamanhos sofrimentos no Filho, ao que amava de maneira singular e acima de tudo, se deveu a um verdadeiro milagre que haja podido seguir vivendo ainda em seu corpo, enquanto sua alma era transpassada pela espada de dor todas as vezes que viu e ouviu o Filho lamentar-se, dilacerado e escarnecido. Martírio realmente único para a Mãe desolada e para a Virgem terna, com o coração atormentado e sofrendo com o Filho de maneira mais atroz que um mártir pendido sobre o cavalete de tortura.

5) Se vocês, irmãos, amam a Nossa Senhora, e se desejam sua ajuda em todas as tribulações, detenham-se com ela junto à cruz de Jesus, tomando parte de todo coração nos padecimentos de ambos, para que ela, na hora da sua morte, rogue solicitamente a fim de que se lhes perdoem seus pecados e suas faltas. Efetivamente, aquele que roga, recorda e medita com devoção e freqüência a paixão do Senhor e as lágrimas de sua dolorosíssima Mãe, bem pode esperar na misericórdia de Deus e na bondade da Mãe e do Filho, que eles estejam presentes em suas necessidades e o confortem no momento de morrer. Que afortunada aquela alma que amou em vida a Jesus e Maria e meditou diariamente a dolorosa presença dela ao lado da cruz de Jesus! Feliz o religioso que despreza todos os prazeres mundanos e elegeu Nossa Senhora como Mãe consoladora, guardiã e protetora de toda sua vida.
6) Ninguém pode duvidar que a boa e misericordiosa Mãe, consoladora dos pobres e auxiliadora dos órfãos, com gosto pronunciará uma palavra doce e bondosa a favor do fiel servidor que esteja por sair deste mundo. Apaziguará com suas santas orações o rosto de seu amado Filho e nosso Redentor, dizendo: “Amorosíssimo Filho meu, tende piedade de vosso servo que me ama e me louva, como vós mesmo vistes e conheceis. Os santos anjos me anunciavam as freqüentes saudações que brotavam com devoção de seus lábios, ao recordar meus gozos, e como costumava convidar a numerosos irmãos para louvar com ele vosso santo nome. Ele é nosso secretário, e escreve livros de devoção. Indo pela rua e ao ver de longe uma cruz, se recorda de vossa paixão e vos demonstra sua atenção, inclinando-se diante dela. Se trata do mesmo que, ao ver em uma igreja ou em outro lado uma imagem que vos representa descansando sobe meus joelhos ou morto entre meus braços, se punha triste, derramava lágrimas, soluçava, rezava dobrando os joelhos e vos adorava. Ele não se distanciou nunca de nós sem dar-nos um beijo de amor; e melhor, todos os dias e todas as noites manteve vivo em seu coração o sentimento compassivo por vossas santas chagas e pelas lágrimas de meus olhos, procurando efusivamente compadecer-se de mim. Recorde-Vos, pois, de tudo isto, meu querido Filho, e concede-lhe encontrar misericórdia ante Vós. Suplico-Vos fortemente em seu favor, junto com todos vossos anjos e santos”.
7) Obrem assim irmãos, enquanto estão bem e ainda têm tempo para emendar-se. Procurem-se amigos e advogados tais, que possam dizer uma boa palavra, grata a Deus, para desculpar suas ofensas e suas dívidas; e que os possam receber em suas eternas moradas, depois dos perigos e das fadigosas lutas deste mundo, já que é impossível que vocês encontrem amigos mais fiéis e poderosos no céu e sobre a terra que Jesus, Rei dos anjos, e que Maria Nossa Senhora e Rainha do céu. Se amam a Jesus, tomem sua cruz, permaneçam ao lado de sua cruz, abracem-na e não a abandonem até que não estejam junto a Jesus, verdadeira luz, que disse: “O que me segue não caminha nas trevas”. Se desejam ser consolados em qualquer tribulação, aproximem-se de Maria, Mãe de Jesus, que está de pé junto à cruz, dolorida e banhada em lágrimas, e tudo o que os oprime se dissipará ou se tornará mais suportável. Antes de morrer, elejam a esta benigníssima Mãe de Jesus acima de todos os parentes e de todos os amigos, como sua Mãe e Advogada; e saúdem-na freqüentemente com a Ave Maria, que tão agradável lhe é.

8) Se o inimigo maligno os tenta e lhes impede de invocar a Deus e a Maria, não se preocupem e não deixem de louvá-los e de rezar; porém com mais fervor invoquem a Maria, saúdem a Maria, pensem em Maria, elejam Maria, honrem a Maria, inclinem-se ante Maria, recomendem-se a Maria. Permaneçam em casa com Maria; guardem silêncio com Maria, desfrutem com Maria; sofram com Maria, trabalhem com Maria; velem com Maria, orem com Maria, caminhem com Maria, estejam sentados com Maria; busquem a Jesus com Maria, estreitem entre seus braços a Jesus com Maria. Vivam em Nazaré com Jesus e Maria, vão a Jerusalém com Maria, estejam junto à cruz de Jesus com Maria, chorem com Maria; sepultem a Jesus com Maria, ressuscitem com Jesus e com Maria, subam ao céu com Jesus e com Maria; anseiem viver com Jesus e com Maria.
9) Se meditam bem estes temas, irmãos, e se decidem pô-los em prática, o diabo fugirá à vista de vocês, que progredirão na vida espiritual. Maria, em sua clemência, rogará com gosto por vocês; e Jesus a escutará de muito boa vontade, pelo respeito que tem pela Mãe. É muito pouca coisa o que levamos a cabo. Mas se nos aproximamos do Pai por meio de Maria e de seu Filho Jesus, obteremos misericórdia e graça na terra, e também glória sem fim com eles no céu. Amém.
10) Feliz a alma devota que nesta terra tenha a Jesus e Maria como íntimos amigos: comensais à hora de comer, companheiros nas viagens, solícitos na necessidade, consoladores nos sofrimentos, conselheiros nas incertezas, auxiliadores nos perigos e no momento da morte. Feliz o que se considera peregrino nesta terra e estima com a máxima alegria ter como hóspedes Jesus e Maria no íntimo de seu coração
Via: www.saopiov.org
Por Darlan Marcelo
Todo protestante que se preze lê a Bíblia. Em particular, muitos gostam do Novo Testamento e em especial o Evangelho de São João é querido por inúmeras pessoas. Eu também amo a forma como São João expõe o Evangelho do Mestre.
Mas há alguns detalhes que as pessoas passam por alto. Um deles, senão o principal, está diante dos olhos de todos e muitos nem percebem. Falo do texto de João 6. Alguém mais desavisado dirá: “mas o que tem João 6 de especial?”. É aí que está. Estamos diante de um texto deveras especial. Vamos a ele.
“Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Do céu deu-lhes pão a comer. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. Declarou-lhes Jesus: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede. Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes.” (João 6:31-36)
Aqui Jesus declara ser o pão da vida, o pão que desceu do Céu e que dá vida ao mundo. Ele falava literalmente e assim foi compreendido, como veremos depois. Tanto é verdade, que em seguida os judeus conjecturavam:
“Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu; e perguntavam: Não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: Desci do céu?“ (João 6:41-42)
Fica claro aí, portanto, que os judeus estavam compreendendo Jesus tal como ele falava. Aí, Jesus chega então ao cerne do texto em questão, dizendo:
“Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” (João 6:50-58)
Sei que muitos dirão que ali Jesus falava figuradamente e etc. Mas tudo isso poderia ser factível e até muito interessante, não fosse a reação dos discípulos:
“Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas, sabendo Jesus em si mesmo que murmuravam disto os seus discípulos, disse-lhes: Isto vos escandaliza?“ (João 6:60-61)
Realmente, eles tinham razão: era um discurso duro, forte demais até. Mas Jesus os interpela perguntando se isso (que Sua Carne é verdadeira comida e o Seu Sangue é verdadeira bebida) os escandalizava. E no versículo 64 Ele ainda fala que alguns ali (entre os discípulos) não criam. E aí acontece o inevitável diante dessa cena:
“Por causa disso muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele. Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” (João 6:66-68)
Aí é onde vemos os verdadeiros discípulos. Muitos, por terem entendido, sim, corretamente as palavras de Cristo, se retiraram, pois não podiam suportar tal coisa (v. 60). Eles não se retiraram por terem achado chato ou coisa parecida, não! Se retiraram por terem entendido, e não aceitado a palavra de Cristo, mostrando que devemos comer da Sua Carne e do Seu Sangue. Pois o verbo ali no texto original, não quer dizer somente comer, mas triturar. Devemos, sim, comer do Corpo e do Sangue de Cristo. E daí que muitos pensaram que Cristo falava de canibalismo. Não era canibalismo, mas também eles não haviam entendido errado ao pensar em comer de forma real Seu Corpo e Seu Sangue.
E aí, Ele se vira para os apóstolos e demais discípulos e questiona-os se eles também o deixarão. Veja, que se tivesse sido um mal-entendido, Jesus podia muito bem ter falado: “Olha pessoal, não é bem assim, eu queria dizer isso e isso, não tem nada a ver com o que vocês entenderam”. Mas não! Ele não fez isso! Ele deixou-os ir. Queria qualidade de discípulos, não número. E olha que não era tanta gente ainda, hein.
Lembre-se de que todas as vezes em que alguém entendia mal algo que Ele falava e aquilo tinha que ficar claro, Ele tornava a explicar. Caso de Nicodemus, que tomou a Jesus ao pé da letra (“nascer de novo” como sendo o nascimento natural) e foi corrigido, para que ficasse claro o que Jesus falava a ele; outra vez, quando Jesus falava do fermento dos fariseus (Mt 16.6-12) e os apóstolos entenderam que era do fermento natural, de pães que Ele falava, Ele corrigiu-os e mostrou que o “fermento” aí era a doutrina errada deles e não o fermento literal como todos conhecem. Teria mais situações nesse sentido nos Evangelhos para comprovar o que falo. Ele deixou-os ir sabendo o que eles tinham compreendido e que aquilo que eles entenderam (de tomar literalmente Sua Carne e Seu Sangue) não era uma distorção do ensino que Ele tinha dado a eles.
Ou seja, quando Cristo precisava esclarecer seus ensinos, Ele o fazia e jamais deixava Seus filhos no engano. Não seria em uma hora tão vital que Ele deixaria as pessoas crerem algo contrário do que Ele disse.
Sabemos ainda que esse texto que consideramos agora tem dois elos essenciais na Escritura: Lucas 22:19-20: “E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o MEU CORPO, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em MEU SANGUE, que é derramado por vós“ e 1 Coríntios 11: 23-25, onde São Paulo praticamente repete Nosso Senhor. Notem que em momento algum Cristo ou São Paulo fala que isso representa o corpo de Cristo, antes que isso É o corpo e sangue de Cristo.
Ou seja, ali Ele falava realmente de comermos Sua Carne e tomarmos o Seu Sangue. Mas e a questão é: onde e como se faz isso? Existem provas que Ele falava explicitamente da Eucaristia? Teria sido esse o entendimento dos apóstolos e dos cristãos dos primeiros séculos? E hoje, quem segue esse ensino? Vamos pensar um pouco.

Os Padres da Igreja e a Eucaristia

Sto. Inácio de Antioquia, do século II, dizia sobre a Eucaristia, que ela era "a Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, a qual padeceu por nossos pecados e a qual o Pai ressuscitou por sua benignidade ".
São Cirilo de Jerusalém, ao comentar esses textos, especialmente o de Lucas, afirma: "Havendo Cristo declarado e dito, referindo-se ao pão: Isto é o meu corpo, quem ousará jamais duvidar? Havendo Cristo declarado e dito: Este é o meu sangue, quem ousará jamais dizer que não é esse seu sangue? " (Cirilo de Jerusalém, Catech. mystag., LXXXVI, 2401)
São Cirilo de Alexandria, comentando texto análogo ao de Lucas que está em Mateus, fala: "(...) Porque o Senhor disse mostrando os elementos: Isto é meu corpo, e Este é o meu sangue, para que não imagineis que o que ali aparece é uma figura, senão para que saibas com toda segurança que, pelo inefável poder de Deus onipotente, as oblações são transformadas real e verdadeiramente no corpo e sangue de Cristo ; e que ao comungar delas recebemos a virtude vivificante e santificadora de Cristo." (Cirilo de Alexandria, Comment. In Math. XXVI, 27)
Com isso ele desmonta toda e qualquer tese de ser uma simples demonstração do corpo de Cristo, antes, ele assevera que as oblações se tornam categoricamente e insofismavelmente no corpo e no sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.
Veja o que um mártir, do primeiro século da Igreja, disse a respeito:
“Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é a carne de Jesus Cristo” (Sto. Inácio Mártir, Bispo de Antioquia, escrevendo aos Romanos, parágrafo 7, cerca de 80-110 d.C.).
Não precisaríamos ir longe para comprovar que isso era o que criam os primeiros cristãos e toda a Igreja desde sempre, desde o seu início. A pergunta que não quer calar é: como os protestantes, que amam a Escritura, fazem dela seu único baluarte (embora a mesma Escritura assevere que o baluarte da Verdade é a Igreja e não a Escritura – cf. 1 Timóteo 3.15) não vêem isso? Por que motivo eles fariam vistas grossas ao que colocamos aqui, da crença dos primeiros cristãos?
Veja S. Justino falando sobre a Eucaristia:
“Está comida nós a chamamos Eucaristia... nós não recebemos essas espécies como pão comum ou como bebida comum; mas como Cristo Jesus nosso Salvador, assim também ensinamos que o alimento consagrado pela Palavra da oração que vem dele, de que a carne e o sangue são, transformação, Carne e Sangue daquele Jesus Encarnado” (São Justino Presbítero, I Apologia, cap. 66 cerca de 148-155 d.C.).
Aqui ele faz o elo claro, a transubstanciação. Ele também é por demais claro ao falar que o alimento consagrado É corpo e sangue de Cristo e não um pão qualquer.
Veja isso, datado do século II também:
“Assegurem, portanto, que se observe uma Eucaristia comum; pois há um Corpo de Nosso Senhor, e apenas um cálice de união com seu Sangue e apenas um altar de sacrifício”. (Stº Inácio de Antioquia – Carta aos Filadelfos – ano 110 d.C.)
Outro Pai da Igreja do século II, falando clara e inequivocamente da Eucaristia como sendo de fato, e não só simbolicamente, o Corpo e Sangue de Cristo. E ele adiciona outro elemento aí: sacrifício! Ele fala em um altar de sacrifício. Os primeiros cristãos tinham isso muito claro: só havia uma Eucaristia, ela se constituía do Corpo e do Sangue de Cristo, que eram pão e vinho consagrados e transformados no Corpo e Sangue de Cristo por meio de um sacrifício!
Não se pode falar então de Nosso Senhor e dos primeiros cristãos como hereges, idólatras ou qualquer coisa semelhante. Eles o faziam assim, e tinham plena consciência disso ser o ensino de Cristo.
Mas, se um protestante estiver lendo esse texto, sei que falará: “olhe, João 6 não dá base para falar de sacrifício e da missa como vocês católicos crêem, quero ver se você me prova sua tese na Escritura”. Ok... Vamos então a ela, a começar do AT.

O Antigo Testamento e a Eucaristia

Sempre chamamos a Cristo de o “Cordeiro de Deus", não? Como S. João Batista: “eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Bem, no AT, o cordeiro era muito comum, já que ele remetia ao sacrifício, que é a forma de adoração mais antiga que se conhece. Temos muitos exemplos de sacrifícios no AT: Abel (Gn 4.3-4), Abraão(Gn 15.8-10), Noé(Gn 8.20-21), Moisés, Josué, Jacó (Gn 46.1), Melquisedec (Gn 14.18-20), etc. Só para citar alguns.
Melquisedec, que é tido por muitos como tipo de Cristo, ofereceu um sacrifício incruento. Ele não abateu algum animal, antes ofereceu pão e vinho! Do mesmo modo que Cristo o fez na instituição da Eucaristia.
“Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo; e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra! E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo“ (Gen 14:18-20)

Os apóstolos e a Eucaristia

Os apóstolos foram mais claros ao falar da Eucaristia como corpo e sangue de Cristo. Alguns acontecimentos no NT reforçam isso. Logo depois da ressurreição, com os discípulos em Emaús, Cristo partiu o pão com eles e foi reconhecido justamente no partir o pão (Lc 24.30, 31, 35). Em Atos lemos que todos eram fiéis aos ensinos dos apóstolos, ao partir do pão e às orações (At 2.42). Em 1 Coríntios, S. Paulo ressalta a presença Real de Cristo nas espécies ao falar das conseqüências de se tomar sem o devido preparo o Corpo e o Sangue de Cristo, falando que quem o faz sem discernir, come e bebe a própria condenação (1 Co 11.29).
São Paulo fala do pão e do cálice como sendo Corpo e Sangue de Cristo: Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? (1Co 10:16) Daí que ele adverte os cristãos a não participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios, pois muitos comiam carnes sacrificadas a ídolos e ele com isso evidencia que a comunhão eucarística é de fato a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo e que não podemos profaná-la....

Os Protestantes e a Eucaristia

Entre os protestantes, já não há esse consenso. Uns vão defender a consubstanciação (luteranos), dizendo que a presença é só no momento da comunhão, não depois, daí que eles não conservam as espécies, crêem que depois não há mais presença de Cristo. Outros defenderão a presença espiritual (calvinistas), dizendo que há presença de Cristo na Eucaristia sim, mas não real e sim virtual. E outros ainda defenderão que a Eucaristia é só um memorial da paixão de Cristo e nada mais (batistas e a maioria dos protestantes). Ainda não é consenso entre eles a quem deve ser administrada a eucaristia: se somente a membros da própria igreja que o administra (conhecido entre eles “como comunhão fechada”) ou se admitem-se membros de quaisquer confissão protestante na administração da eucaristia (conhecida essa posição como “comunhão aberta”). Normalmente se vê batistas abraçando a primeira, enquanto presbiterianos e demais reformados abraçam a segunda. Pentecostais também se dividem. Entre eles, a Congregação Cristã defende a comunhão fechada e os assembleianos, entre outros, defendem e praticam a comunhão aberta.

Conclusão

Pudemos ver que o ensino perene de Nosso Senhor sobre Seu Corpo e Seu Sangue foi levado adiante pelos apóstolos e pelos Pais da Igreja, tendo uma prefiguração clara já no AT. Quando Ele falou de comer e beber da Sua Carne e do Seu Sangue, não falava de modo figurado, mas real.
Os protestantes, que tanto pregam o amor à Escritura, não crêem no ensino claro de Nosso Senhor sobre isso, pois isso significaria retornar a Roma. Antes, na sua busca de defender posições não ensinadas na Escritura, se dividem em mil e uma interpretações sobre qual a posição mais correta. E isso desde os primórdios da Reforma. Já que desde aquela época nunca houve consenso entre eles a esse respeito.
É dever da alma consciente decidir. A quem ouvir? À Igreja, que sempre ensinou o que Nosso Senhor e os apóstolos, os Pais da Igreja ensinaram por séculos? Ou a centenas de igrejas protestantes que não tem consenso entre si sobre um ponto fundamental da fé cristã?
"Jamais me pude persuadir de que Jesus, a Verdade e a Bondade mesmas, tenha permitido que por tantos séculos a sua Esposa, a Igreja, haja prestado adoração a um pedaço de pão em lugar de adorar a Jesus mesmo" (Erasmo de Roterdam).

Via: Veriatis Splendor
Por Darlan Marcelo
Não é difícil encontrar por aí pessoas e instituições dedicadas na tarefa de caluniar e denegrir a imagem do pastor da Igreja Católica Apostólica Romana, nosso santo padre, o Papa. O que muita gente não compreende ou talvez não busque saber é o porquê de sua existência, qual a sua tarefa e a sua importância.
O papa é nada menos que o pastor dos fiéis da Igreja Católica, escolhido e nomeado pelo próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo! O sucessor de Pedro, aquele sobre o qual Deus fundou a Sua igreja. A igreja que Jesus instituiu para continuar levando seus ensinamentos a todos os povos da terra, depois que Ele próprio tivesse voltado para junto do Pai nos céus. Uma igreja que não foi criada por homens e um pastor para pastorear suas ovelhas, que Jesus disse que não abandonaria até o fim dos tempos.
Quem é o Papa? Como esse posto foi criado e por quem? Por que devo apoiá-lo? Por que precisamos dele e devemos respeitá-lo? É para responder a essas perguntas que nós do Quero Saber Sobre Deus trazemos hoje o artigo escrito pelo nosso irmãozinho Diego Galvão, um advogado cristão, um eterno estudioso e pesquisador dos ensinamentos de Deus que muito tem a contribuir com este humilde espaço de informação criado pela inspiração divina e mantido para honra e glória de Deus.
As respostas de perguntas surgidas a respeito da figura do Papa serão esclarecidas em dois posts, neste que segue abaixo e em outro que será postado em seguida. Boa leitura ao amigo internauta!

DE MÃOS DADAS AO SUCESSOR DE PEDRO

“tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (São Mateus 16:18)

Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16, 17-19). Essas palavras, ditas por Cristo ao Apóstolo Pedro, ecoaram de tal forma que lançaram os alicerces da Igreja de nosso Senhor que, escolhido pelo próprio Cristo, teria Simão Pedro, irmão de André e filho de Jonas como o chefe da mesma e o fundamento de sua unidade!
De fato, Cristo sabia que não estaria com os seus durante muito tempo, e era seu desejo que seus ensinamentos fossem levados a todos os povos da terra, como declarou expressamente:
“Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. (Mt 28, 19-20).
Sabia também que sua santa doutrina e sua morte redentora faria gerar um enorme rebanho. Mas, uma vez agrupado tal rebanho, era necessário alguém que o conduzisse, que o apascentasse, a fim de que o mesmo não se perdesse! Ele, soberano Senhor, que sabia que casa firme é aquela construída sobre a rocha (Mt 7, 24-25), escolheu a Pedro para apascentar seu rebanho:
“Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.” ( Jo 21, 15-17).
Simão teve seu nome alterado para pedra, para exprimir o papel que desempenharia na Igreja (Cristo falava aramaico, e “kepha”, palavra aramaica, significa Pedro e pedra), presidiu a escolha de Matias para o lugar de Judas (At 1, 1-25); foi o primeiro a anunciar o Evangelho no dia de Pentecostes e na era da Igreja (At 2, 14-36); acolheu na Igreja o primeiro pagão (At 10,1); no Concílio de Jerusalém, o primeiro da história, foi o principal responsável pela decisão sobre a questão da circuncisão e da evangelização dos pagãos, dizendo a Bíblia, expressamente, que “toda a assembléia silenciou” (At 15, 7-12); seu nome aparece em primeiro lugar em todas as listas que enumeram os Apóstolos, ao passo que o nome de Judas Iscariotes vem sempre por último (Mt 10,2; Mc 3, 16; Lc 6,14; At 1,13); Jesus orou para que “a sua fé não desfalecesse” (Lc 22, 32). Muitas outras evidências colocam Simão em preeminência, mas estas já são suficientes.
Por tudo isso, percebemos claramente que Pedro foi o primeiro líder da Igreja! Sendo Bispo de Roma, lá esteve e lá foi martirizado, como atestam muitos testemunhos dos primeiros séculos, como os de Orígenes, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Santo Irineu, Dionísio, Santo Inácio de Antioquia e outros. Orígenes (+ 254), chegou a dizer: “São Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu que fosse crucificado de cabeça para baixo”. Na década de 1950, geólogos, historiadores e pesquisadores, em escavações na região do Vaticano, encontraram o túmulo do Santo Apóstolo.
Entretanto, com a morte de Pedro, a Igreja não poderia ficar “acéfala”, sem líder! Outro deveria ocupar seu lugar, e assim o foi e deve ser até o fim dos tempos. Cristo, que disse aos Apóstolos que com eles estaria até a consumação dos séculos (Mt 28, 19-20), não abandonaria os sucessoresdeles. A Igreja deveria continuar, sem que as portas do inferno prevalecessem sobre ela! Os Apóstolos instruiriam a outros, que passariam a exercer suas funções. Podemos citar como exemplo Barnabé, escolhido para a sua missão especial pelo Espírito Santo (At 18, 2), sendo depois chamado também de Apóstolo (At 14, 13). Mas quem ocupou o lugar de Pedro? Quem passou a ser o líder? A história não nos deixa desamparados, e testemunhos dos primeiros séculos apresentam os sucessores do Príncipe dos Apóstolos!
Um destes testemunhos é o de Santo Irineu, Bispo de Lião, escritor do 2º século, que foi discípulo de São Policarpo que, por sua vez, o foi do Apóstolo São João. Pois bem, Santo Irineu disse que “Pedro e Paulo, tendo fundado e instruído a igreja de Roma, transmitiram o episcopado a Lino e lhe sucedeu Anacleto e depois deste, Clemente tem em terceiro lugar o episcopado que vem dos Apóstolos.” Falando nos outros sucessores, Santo Irineu os cita até o 12º, que foi Eleutério, que governou a Igreja de 174 a 189 d. C.
A sucessão no trono de Pedro não parou! Até o século VI o Bispo de Roma não tinha uma denominação fixa, pois outros bispos também eram chamados de papa ou sumo-pontífice (Pontífice é o nome que era utilizado para definir o supervisor das atividades religiosas da antiga Roma. Como a Igreja Católica tem Roma por sede, esse nome passou a ser utilizado para denominar os chefes religiosos e, mais tarde, o Papa). A partir de então, começou-se a reservar apenas ao pontífice-romano o nome de Papa. Atualmente, Jorge Mario Bergoglio, que atende pelo nome de Papa Francisco, é o 265º sucessor de São Pedro, e o 266º Papa na história da Igreja.
O Catecismo da Igreja diz: “§882. O Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro, “é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos Bispos, quer da multidão dos fiéis” “Com efeito, o Pontífice Romano, em virtude de seu múnus de Vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder pleno, supremo e universal. E ele pode exercer sempre livremente este seu poder.”! E, também, após ratificação do Concílio Vaticano I (1869-1870) de que o Papa é infalível quando proclama algo concernente à fé e à moral: “§891. Goza desta infalibilidade o Pontífice Romano, chefe do colégio dos Bispos, por força de seu cargo quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis e encarregado de confirmar seus irmãos na fé, proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina que concerne à fé ou aos costumes… A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro”, sobretudo em um Concílio Ecumênico. Quando, por seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa “a crer como sendo revelada por Deus” como ensinamento de Cristo, “é preciso aderir na obediência da fé a tais definições”. Esta infalibilidade tem a mesma extensão que o próprio depósito da Revelação divina.” Sobre fé e moral, valem as palavras de Santo Agostinho: “Roma falou, acabou-se a questão!”
Pois bem, queridos irmãos, hoje o Papa é atacado por muitos inimigos da Igreja, que desejam ferir o Pastor para que as ovelhas se dispersem. Caluniado, acusado e ridicularizado, constantemente, é o Vigário de Cristo contestado! Com um governo irrepreensível e sem abrir mão dos valores inegociáveis da fé cristã e da moral católica (quando, por exemplo, disse, durante a campanha das eleições presidenciais americanas, ser o aborto e a eutanásia “claro pecado grave”), Bento XVI lidera com pulso firme o rebanho do Cordeiro de Deus.
Com efeito, o que o Papa precisa de nós é de apoio! Precisamos nos deixar guiar por ele! Devemos orar com ele e por ele; comungar em união com ele e por ele; chorar com ele e por ele; e sorrir com ele e por ele. Precisamos escutá-lo e segui-lo: “Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” (Lc 10, 16), já disse Cristo aos seus Apóstolos.
Sendo, pois, chefe e fundamento da Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja de Jesus Cristo, a únicapor Ele instituída, e que atravessou sem desmoronar as Idades Antiga, Média, Moderna, chegando à Contemporânea, e na certeza de que chegará até o fim dos tempos, podemos dizer, como já o fizeram outrora Santo Ambrósio (340-397), Bispo de Milão, e outros: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia” ou “Onde está Pedro, está a Igreja!”.

Via: Quero saber sobre Deus
Por Darlan Marcelo
Depois de visitarem o lugar onde Maria teria amamentado o Menino Jesus, famílias com problemas de fertilidade são milagrosamente agraciadas com filhos. Para um frade, as cartas que chegam todos os dias à Gruta do Leite são “a prova de que Deus existe”.


Escondida atrás da Praça da Manjedoura, próxima à basílica que marca, de acordo com a tradição cristã, o lugar onde Jesus nasceu, está a Gruta do Leite. Esse é o local onde, de acordo com outra tradição, Maria amamentou o Menino Jesus e onde algumas gotas de seu leite caíram sobre as pedras, transformando a cor marrom amarelada de seu calcário macio em branco cremoso. Inspirados por uma devoção multissecular, que remonta possivelmente aos primeiros cristãos, mulheres e casais com problemas de fertilidade têm vindo a essa gruta para rezar a Nossa Senhora, na esperança de que a sua intercessão os ajude a ganhar um bebê.
Atualmente, os peregrinos podem levar para casa pequenos pacotes de pó branco extraído da gruta. Juntos, os casais realizam uma "quaresma" que inclui beber pequenas quantidades do pó e recitar uma oração. Os pacotes são vendidos a um preço simbólico, mas só podem ser adquiridos na gruta, já que a demanda seria enorme para administrar.
O irmão franciscano Lawrence Bode, zelador do santuário, tem guardado os registros dos últimos 12 anos. Ele já recebeu cerca de 4.000 cartas de casais, atribuindo o nascimento de seus filhos ao milagroso "leite em pó" extraído da gruta. O frade estima que haja o dobro de crianças cujos pais não lhe escreveram. "Na semana passada, eu fui para a caixa de correios e havia cerca de 10 fotos de bebês", ele conta. "As pessoas rezam pela cura, para que elas tenham um bebê e sejam mães. A cada dois dias, temos uma criança. É um lugar maravilhoso em que trabalhar, gerando bebês de todo o mundo. As cartas são o testemunho da evidência tangível dos milagres."
As correspondências e fotos que Lawrence guarda em fichários, e outras tantas que decoram as duas paredes do seu pequeno escritório, vêm de de todos os cantos do mundo, incluindo Brasil, Argentina, Índia, Filipinas, México, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Sri Lanka, Bermudas, Irlanda e Espanha. Mais recentemente, o frade diz ter recebido cartas até mesmo de Taiwan e da China.
Em cada testemunho enviado ao santuário, vão registradas as dificuldades que as famílias enfrentavam para conseguir um filho. Um casal da Índia lutava para engravidar já havia 20 anos. Depois que aderiram à devoção, o marido escreveu relatando a sua imensa alegria pelo nascimento de uma menina. Um líder da comunidade episcopal dos Estados Unidos escreveu há cerca de seis anos. Ele enviou uma foto sua, trazendo no peito, orgulhoso, o seu filho recém-nascido, em um canguru. Ele e a esposa também tinham problemas de fertilidade. Da Argentina, uma jovem escreveu contando o nascimento de sua filha depois de 10 meses tentando engravidar. Dois casais da região da Palestina, que também mandaram fotos ao santuário, foram abençoados de modo especial: um teve trigêmeos; o outro, quadrigêmeos.
O irmão Lawrence diz que geralmente brinca com os casais para tomarem cuidado com a quantidade de pó que eles tomam, porque pode fazer multiplicar o número de filhos. Ele também conta – desta vez, falando sério – que nunca pergunta aos casais se eles fazem tratamento médico ao mesmo tempo em que peregrinam à gruta. O religioso reconhece que, em algumas ocasiões, pode ser o caso de um simples sucesso médico, mas assegura que a fé e as orações das famílias também podem ajudar no decorrer do processo.
Outras cartas atribuem ao mesmo "leite em pó" milagres como a cura de um câncer, de uma cegueira ou de uma paralisia. Algumas famílias – conta o irmão Lawrence – voltam ao santuário com os seus filhos para agradecer. Foi o caso dos palestinos pais de quadrigêmeos e de um casal do norte da Galiléia que recebeu a cura de uma filha que estava em coma. "É uma sensação maravilhosa saber que há esperança para os casais, para os doentes e até para quem está perdendo a fé. Eu rezo pelas pessoas que têm essa devoção todos os dias da minha vida", diz o frade. "Essa é a prova de que Deus existe. Estamos falando de milagres. Nos dias de hoje, você fala de milagres e as pessoas não acreditam."

Em vários lugares da gruta, é possível perceber buracos no teto, da largura de um dedo, sinalizando o lugar onde as pessoas rasparam um pouco do pó para levar para casa. Hoje, quem zela pelo santuário vigia para que as pessoas não tentem mais fazer isso. A Gruta do Leite sofreu uma restauração dois anos atrás, durante a qual foram removidas fuligens antigas do teto e, para acomodar grupos maiores de peregrinos, foi adicionada uma capela superior maior em cima da capela antiga, construída sobre a gruta por volta do ano de 385. O irmão Lawrence observou que, em algum momento durante as recentes reformas, armazenou-se uma considerável quantidade do pó da gruta para ser oferecida aos fiéis que vêm ao santuário. O frade acredita que há o suficiente para "durar pelo menos 100 anos".
Velho devoto da Virgem Maria desde antes de entrar na vida religiosa, Lawrence afirma que a sua devoção "triplicou" desde que ele se juntou aos franciscanos e passou a cuidar da Gruta do Leite. O religioso está convicto de que, quando as graças acontecem pela mediação de Maria e pelo uso do "leite em pó", é sempre Deus quem opera por meio dessas realidades, assim como Ele sempre agiu na história, por meio dos Seus profetas e dos próprios objetos inanimados (cf. 2 Rs 2, 9-14). "Assim como nós pomos a nossa fé em Jesus, também pomos a fé em sua mãe", explica o frade.
No primeiro dia do ano, uma Missa especial em honra a Maria é celebrada na Catedral de Santa Catarina, que fica ao lado da Basílica da Natividade. Centenas de fiéis cantam e rezam em procissão, carregando um ícone da Virgem Maria até a Gruta do Leite, onde eles recebem a bênção de um sacerdote. Com isso, os católicos cumprem a profecia evangélica que diz: "Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada" ( Lc 1, 48).
Enquanto os cristãos só comemoram o nascimento de Jesus durante o tempo do Natal, Lawrence diz celebrar a natividade todos os dias em que nasce um bebê graças à intercessão de Nossa Senhora do Leite. "Jesus nos diz que, se temos a fé de um grão de mostrada, podemos mover uma montanha", ele afirma. "Os milagres vêm com a fé das pessoas. Não é mágica. Tem a ver com fé e a devoção de cada um."
Via: Pe. Paulo Ricardo
Por Darlan Marcelo
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